quinta-feira, 7 de abril de 2011

um dia de poeta

  Um certo dia resolvi bancar de poetisa... Assim fica mais chic!!!

Passei horas pensando sobre  o que escrever...

Palavras vinham e voltavam á minha mente...
Me inspirei e coloquei toda minha emoção num papel
O tema escolhido foi uma amor deixado, não pra trás, mas por muito tempo adiado...
Que infelizmente hoje não tenho muita perspectiva de que vá muito adiante.
È um amor quase platônico, sonhador, idealista, revolucionário, imaturo, às vezes insensato.
Impulsivo, degenerativo.
Mas ao mesmo tempo é revigorante.
È gostoso, é inocente, tranquilo, indecente. É voraz.
Mas não é autoritário, nem egoísta... é A-M-O-R!
O poema saiu assim:

Jangada

Ai quem dera você aqui
Pra me nortear
Perdido sem rumo
Implorando por um segundo poder me afagar

Submerso num turbilhão de sentimentos
Na nostalgia dos pensamentos
Num mergulho no remanso do mar
Naufragado em planos e reviravoltas
Dessas que a vida dá

Ai quem dera ter no pulso o controle dessa jangada
Que precisa do vento pra deslizar
Voltar às margens daquela praia de areia branca
E nos seus braços seguros descansar

RAFAELA VILAÇA®
todos os direitos reservados


Dedicado á todos aqueles que esperam a chance de amar de verdade. De ter alguém bem pertinho, fazendo carinho, dando beijinho, dormindo agarradinho!!!
Que vontade!

quarta-feira, 30 de março de 2011

PAREI COM A ACADEMIA


Existem situações onde uma boa e guerreira solteira precisa mostrar ao mundo á que veio.
Tem uma hora que tudo o que se deseja é uma tarde livre. Livre de verdade. Livre da mãe, do vizinho chato, da operadora de telemarketing, e até livre do pensamento que te prende ao instrutor gato da academia. Afinal é por causa dele que você realmente precisa estar livre.
Precisa usar aquele pijama de florzinha que sua tia gorda te deu no natal em que estava na sétima série, com um papel já meio amassado de ficar embaixo do colchão e que todo mundo sabe que o pijama foi usado por ela em algum momento e ela viu que realmente não servia. Que ficava torando a dobra da coxa quando deitava de ladinho. Enfim precisa daquela roupa que não tem vestígio nenhum da cor ou da aparência original.
Depois de meio expediente de trabalho aquele chefe moreno e gato enfim reconhece que anda trabalhando muito e finalmente concede uma tarde de folga. Mentira dele. Dá pra ver na sua cara que o dia está um saco. Que você não está nada bem. Parece uma forte virose e que a qualquer momento você pode contaminar alguém ou acabar matando alguém num surto psicótico de mau humor já estampado na  sua testa.
Passar na locadora, alugar um filme do Richard Gere ou Russell Crowe com trilha sonora de morrer é a primeira tarefa. Chegar em casa, trancar ainda mais as portas e janelas, pra ninguém pensar que existe alma vivente nela. Colocar uma boa caçarola de leite condensado com chocolate em pó no fogo, fazer aquele um brigadeiro arremata as primeiras necessidades.
Mesmo que não estiver frio, vale pegar aquele edredom gostoso e fofinho que já segurou muitas lágrimas há anos. Esparramar-se no tapete da sala esperando que o mundo acabe em silêncio para não atrapalhar os pensamentos. E principalmente comer às colheradas o brigadeiro caseiro, afinal o bom de ser solteira é se empanturrar de açúcar e gordura sem ter ninguém buzinando no ouvido frases inconvenientes.
Um flashback passa pela cabeça entre uma cena e outra. E vozes vêem nitidamente a mente: ‘cachorro!, porque ela?, ele faz aquilo com todas!, é só na sua cabeça!...’
No dia seguinte com os olhos fundos de não dormir, e com mal estar por causa das duas latas de leite condensado que viraram brigadeiro, a decisão mais sensata é cancelar a academia. Depois que se recuperar e resolver voltar, o melhor é buscar outro lugar com profissionais competentes. Também depois daquela cena lamentável do professor gatão te deixar falando sozinha no Elíptico e ir logo dando em cima da aluna novata que mais parece madrinha de bateria da Unidos da Ninfeta não se têm muitas opções a considerar. Uma conversa com ele? Nem pensar, afinal nunca acertaram nada, nunca nem saíam, nem trocaram telefone. Mas no fundo sabe que ele é muito afim de você. Uma mão apóia-se no seu ombro e uma voz firme diz: ‘- que bom que você chegou, vamos começar logo. Hoje estou novamente disponível só pra você, preparei uma série de exercícios que você vai amar. Passei minha sobrinha pra outro instrutor não é bom misturar as coisas aqui no meu ambiente de trabalho, não acha?’.
Ufa! Você pensa. Enche e solta o ar dos pulmões como se fosse o ultimo suspiro. E com a voz tremulando: ‘-Então ela é sua sobrinha, que bom! Ela é linda!’.
Mas no pensamento continua: ‘-que história é essa de não misturar as coisas no trabalho?
 Pronto. O lucro foram 800 calorias a mais, um ponto a menos com o chefe e a certeza que seu instrutor gato é um ótimo profissional e que não está afim de ficar com você.

terça-feira, 22 de março de 2011

vida de solteiro


Crônicas de um Solteiro
Sabem o porquê inventaram estes mercados vinte e quatro horas? Pode-se até imaginar que é para suprir algumas eventualidades ou para aqueles que trabalham muito, não têm tempo pra fazer as compras do mês, pois não podem passar duas horas empurrando um carrinho de metal, frio e sem um pingo de bom gosto no design, que só se interessa na verdade é no dinheiro que você vai gastar para entupir sua casa com materiais que você nem sabe se precisa e que você tem certeza que vai acabar jogando fora. Como aquele queijo Roquefort que fica sempre um pedaço que ninguém come, mofa e você joga fora com muita pena, afinal custaram os olhos da cara. E porque não comê-lo?, uma vez que o queijo­ Roquefort fede tanto que parece que vem podre.
Mas o caso não é esse.
Esses lugares foram feitos na verdade para solteiros que não tem nada melhor a fazer pra passar o tempo, fingir que se cuidam e que se importam com a limpeza da casa.
            Numa dessas noites, de insônia transcendental, um desses sujeitos entra num desses mercados que afirmam estar aí pra te servir, mas na verdade estão prontos pra te sugar até o ultimo centavo, principalmente nesses momentos de vulnerabilidade.
O cara entra e demora quase quinze minutos pra escolher o  carrinho.
Pega um carrinho: grande demais, outro: pequeno de mais. A roda também influencia. Sobe até a metade da rampa e volta, dessa vez é o barulho do metal que incomoda, afinal está rangendo de maneira diferente.
Enfim, acha um certo, parece encaixar entre seus dedos.
Na primeira gôndola para, esvazia os bolsos. Tira moedas, clipes, papel do estacionamento, papel velho, que parece que foi lavado umas duas vezes junto com a bermuda caqui, que combina com a sandália de couro cru, coça a cabeça. ‘- Esqueci!’ Enfim tenta mais uma vez. Encontra uma pequena lista contendo não mais que seis itens.
Vai se dirigindo ás gôndolas mais ao fundo, parecendo que conhece o local ou tem afinidade com a logística de supermercados. O telefone toca. O semblante do rosto se alegra, entre uma palavra e outra surgem risos espontâneos. Não que ele seja um desses caras que gostam de aparecer ao celular, muito pelo contrário, enquanto fala, põe o telefone mais próximo à boca para não falar muito alto. Para ouvir é lógico, põe no ouvido.
A conversa se estica e vai ficando mais gostosa.
Esmera-se para conseguir o produto certo como se a mãe fosse brigar se levasse algo que não está na lista. Mas não tem como não ser criterioso. Afinal se lê: ‘sapólio da tampa azul, cera brilha fácil incolor da embalagem azul, extrato de tomate cica do pote grande, guarda-napo de papel duplo snob, soda cáustica diabo verde, lustra móveis poliflor’.
Quem fez essa lista? A tiazinha que mora de favor na casinha dos fundos, ou a diarista gentil que não gosta de trabalhar com materiais vagabundos? Isso também não vem ao caso.
O fato é que um homem, viril, bonito, trabalhador e com muitas outras qualidades às quais desconheço faz compras pela madrugada sem a menor pressa de ir embora por não tem nada melhor pra fazer, nem jogar Playstation.
Ao telefone outra bizarre, uma suposta namorada dicas pro cara de onde podem estar os produtos.
O detalhe é que a mina fala de um lugar que eu sinceramente pensei que nem existia telefone... a garota tem celular, e funciona, no Acre....
Parece que a ajuda é eficaz, dar-se a entender que ela sabe dessa necessidade dele de passa um tempo procurando o mesmo item, mas oito minutos procurando o sapólio, já é demais, não acham? O problema é que enquanto ela dá dicas valiosas ele se empenha ao máximo para achincalhar o organizador da sessão. Entre um palavrão e outro, pode-se ouvir: ‘- num acho, num acho, sem lógica isso!’
Depois de encontrar os itens logicamente colocados estrategicamente escondidos como o lustra móveis poliflor e a cera brilha fácil incolor da embalagem azul, ele parte para as compras que lhe dão realmente prazer, comida. Pois ninguém é de ferro. Numa lista de solteiro não pode faltar coisas básicas: miojo, hambúrguer, rufles, tekitos, um pacote de arroz, para parecer normal, e massa fresca pra canelone com tomates frescos,o homem é chique!
Em matéria de comida ele parece entender, ou coloca no carrinho aquilo que encontra primeiro. Na lista imaginaria de comida não se tem muito critério, o que estiver no caminho e que não tem muito tempo de preparo vai pra casa.
Depois de muito insistir, a garota do outro lado do telefone, e da galáxia, diz pausadamente:  ‘- chama o carinha de uniforme e pede à ele pra te informar onde está!’
E em menos de um minuto depois de falar com o repositor ele encontra o tão produto escondido: o arroz!
A caminhada até o caixa é silenciosa e com um semblante triste. Enquanto ele põe a mercadoria na esteira analisa cada item para não ter menhum erro. Não liga para o valor, paga. Mas quando a atendente diz: ‘-boa noite e volte sempre’. Ele pega o carrinho, entulhado de coisas e vai pra casa com sorriso de La Gioconda pois sabe que essa brincadeira havia acabado, mas pode sempre contar com o mercado vinte e quatro horas para suprir qualquer necessidade. E até amanhã!

Crônicas de uma websolteira


Tem coisa pior do que namoro virtual???
Tem gente que considera a possibilidade de duas pessoas terem um relacionamento sincero través da internet. Tudo bem! Cada qual com seu cada qual. Mas só vou me ater à minha experiência.
Uma vez fiz um perfil num desses ‘ocoviteiros virtuais’. Preenchi tudo com muita expectativa. Depois de preenchido fui analisar o menu do açougue pronta para escolher o melhor touro pro abate. Atrás de um filé, mas sabendo que podia acabar degustando uma boa picanha, me atirei à procura. Ledo engano, só tinha mocotó, muxiba e chuleta.
         Na descrição do galã se lia: loiro, alto, atlético, cursando nível superior, solteiro interessado em relacionamento duradouro. Perfeito! O príncipe certo. Mas na foto se via um cara de pele escura com cabelo oxigenado à gema de ovo, metido a pagodeiro. Alto parecendo uma vara de tirar teia de aranha. Atlético num sei onde, só se for no fígado de tanto filtrar álcool. Uma barriga que mais se parece um tonel de vinho barato. O nível superior fica a cargo do emprego. O fato é que o príncipe acabara de ser promovido de reboco de rodapé à acabamento de laje. E lógico ’interessado em relacionamento duradouro’, também com 47 anos e ainda solteiro tem que ter algo de errado, não acham?
         Foi como receber um murro na boca do estômago logo depois de uma bela feijoada. Mas como nesse dia estava determinada e mesmo com o estômago embrulhando fui à procura novamente. Preferi uma coisa mais light, mais leve, chega de proteína por enquanto.
         Foi como procurar um bom recheio pro meu sanduíche natural. Encontrei um cara que parecia não inventar tanto. Um homem normal e palpável, afinal nem todo príncipe tem que ser lindo, num vê o príncipe Charles!
         Ele tem estatura mediana, cabelos ondulados castanhos, olhos negros. Hum, que parecem jabuticabas, pensei. Divorciado, quatro filhos, 36 anos. Tudo bem ter filhos. Ainda bem que ele os assume na hora de procurar um novo relacionamento, um verdadeiro pai. Divorciado, não tem problema, nem todo relacionamento tem que ser pra sempre, ainda bem que já está tudo acertado judicialmente.
         Pronto, pode ser esse, trocamos mensagens, parecia interessado também. Trocamos e-mails e mais tarde resolvemos conversar. Pelo MSN coloquei conversa de áudio, não me senti segura pra passar número de telefone. Ainda bem!
Gente, pense numa voz de taquara rachada! Era uma mistura de zumbido de abelha com zurrar de jegue. Mas mesmo assim quis ver o rosto dele. Ligamos a webcan. Coitada de mim com aqueles olhos negros! Pareciam sim jabuticabas, mas podres. A foto que tinha no perfil era de um primo. Perdi cerca de duas semanas nesse longo relacionamento virtual.
Não quis mais rechear meu sanduíche natural, afinal parecia que naquele mar de peixões só caiam na minha rede peixes palhaços e sardinhas estragadas.
Removi meu perfil do serviço de ‘ocoviteiros virtual’, mas continuo recebendo convites da empresa para voltar.
Pensei em tentar mais uma vez. Colocando a cabeça no lugar é bem melhor evitar indigestões.
Pra mim, namoro virtual só dá azia!!!