terça-feira, 22 de março de 2011

Crônicas de uma websolteira


Tem coisa pior do que namoro virtual???
Tem gente que considera a possibilidade de duas pessoas terem um relacionamento sincero través da internet. Tudo bem! Cada qual com seu cada qual. Mas só vou me ater à minha experiência.
Uma vez fiz um perfil num desses ‘ocoviteiros virtuais’. Preenchi tudo com muita expectativa. Depois de preenchido fui analisar o menu do açougue pronta para escolher o melhor touro pro abate. Atrás de um filé, mas sabendo que podia acabar degustando uma boa picanha, me atirei à procura. Ledo engano, só tinha mocotó, muxiba e chuleta.
         Na descrição do galã se lia: loiro, alto, atlético, cursando nível superior, solteiro interessado em relacionamento duradouro. Perfeito! O príncipe certo. Mas na foto se via um cara de pele escura com cabelo oxigenado à gema de ovo, metido a pagodeiro. Alto parecendo uma vara de tirar teia de aranha. Atlético num sei onde, só se for no fígado de tanto filtrar álcool. Uma barriga que mais se parece um tonel de vinho barato. O nível superior fica a cargo do emprego. O fato é que o príncipe acabara de ser promovido de reboco de rodapé à acabamento de laje. E lógico ’interessado em relacionamento duradouro’, também com 47 anos e ainda solteiro tem que ter algo de errado, não acham?
         Foi como receber um murro na boca do estômago logo depois de uma bela feijoada. Mas como nesse dia estava determinada e mesmo com o estômago embrulhando fui à procura novamente. Preferi uma coisa mais light, mais leve, chega de proteína por enquanto.
         Foi como procurar um bom recheio pro meu sanduíche natural. Encontrei um cara que parecia não inventar tanto. Um homem normal e palpável, afinal nem todo príncipe tem que ser lindo, num vê o príncipe Charles!
         Ele tem estatura mediana, cabelos ondulados castanhos, olhos negros. Hum, que parecem jabuticabas, pensei. Divorciado, quatro filhos, 36 anos. Tudo bem ter filhos. Ainda bem que ele os assume na hora de procurar um novo relacionamento, um verdadeiro pai. Divorciado, não tem problema, nem todo relacionamento tem que ser pra sempre, ainda bem que já está tudo acertado judicialmente.
         Pronto, pode ser esse, trocamos mensagens, parecia interessado também. Trocamos e-mails e mais tarde resolvemos conversar. Pelo MSN coloquei conversa de áudio, não me senti segura pra passar número de telefone. Ainda bem!
Gente, pense numa voz de taquara rachada! Era uma mistura de zumbido de abelha com zurrar de jegue. Mas mesmo assim quis ver o rosto dele. Ligamos a webcan. Coitada de mim com aqueles olhos negros! Pareciam sim jabuticabas, mas podres. A foto que tinha no perfil era de um primo. Perdi cerca de duas semanas nesse longo relacionamento virtual.
Não quis mais rechear meu sanduíche natural, afinal parecia que naquele mar de peixões só caiam na minha rede peixes palhaços e sardinhas estragadas.
Removi meu perfil do serviço de ‘ocoviteiros virtual’, mas continuo recebendo convites da empresa para voltar.
Pensei em tentar mais uma vez. Colocando a cabeça no lugar é bem melhor evitar indigestões.
Pra mim, namoro virtual só dá azia!!!

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